Alertar para a necessidade da restauração do conjunto arquitetônico da Faculdade de Medicina do Brasil resultou em uma visita técnica da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados ao imóvel histórico, nesta quinta-feira (7).
A inspeção atendeu ao requerimento do deputado federal Jorge Solla (PT-BA) para chamar a atenção do Governo Federal para viabilizar a restauração da faculdade fundada em 1808. A comitiva teve a presença do presidente da CFFC, deputado Alexandre Lindenmeyer (PT-RS).
Acompanhados pelo reitor da Universidade Federal da Bahia, Paulo Miguez, junto com superintendente do Ministério da Cultura na Bahia, Oséas Marques, os deputados conferiram in loco a situação preocupante da instituição por onde passaram nomes como Augusto Cesar Vianna e o professor Edgar Santos.
“O objetivo é contribuir com o que for necessário para o restauro e recuperação desse patrimônio, que infelizmente foi completamente negligenciado e dilapidado pelo desgoverno anterior”, explicou Solla, formado em 1984 pela Faculdade de Medicina da UFBA.
Prédios interditados
Hoje, três prédios anexos estão interditados por causa de rachaduras, como a Sala da Congregação, o salão nobre e a Biblioteca Gonçalo Muniz, onde repousam mais 100 mil volumes entre artigos, publicações nacionais e estrangeiras.
As infiltrações comprometem não só a estrutura da edificação bicentenária, assim como também ameaçam a conservação das esculturas de 1909 que encantam os visitantes, mas estão sendo corroídas pela ação do tempo.
“Mas como o presidente Lula já tirou o Brasil duas vezes do Mapa da Fome, certamente vai entregar a recuperação deste patrimônio histórico também pela segunda vez, como já fez no primeiro e segundo mandatos com investimentos da Petrobrás e Ministério da Cultura”, acrescentou Solla.
Mobilização
“É uma grande mobilização dos deputados e ex-alunos para preservação da memória deste que é o berço da medicina no Brasil. Fico muito satisfeito e feliz por ver que temos condições de reunir personalidades políticas na defesa desse patrimônio nacional”, pontua o diretor da instituição, Antônio Lopes.
Impressionado com os mais de 15 mil metros quadrados de pura história, cultura, arte e educação, o deputado federal Alexandre Lindenmeyer mostrou-se empenhado em unir forças com Solla na defesa da primeira Faculdade de Medicina do Brasil.
“Esse é um monumento que todos os brasileiros deveriam conhecer.
Não só pela pujança arquitetônica e histórica, mas pela importância na formação de profissionais de saúde ao longo dos séculos”, admirou o parlamentar gaúcho.
Berço da medicina
Séculos antes da oficialização da faculdade, ainda em 1553, o prédio localizado no Terreiro de Jesus abrigou a primeira escola de ensino dos Jesuítas no Brasil. Atualmente, 1.300 estudantes de graduação e pós-graduação em Medicina tem aulas no prédio.
O imóvel conta com três museus, cinco salas de aulas, um laboratório para atendimento básico de saúde à população do Centro Histórico e o Instituto de História da Medicina, cuja função é auxiliar em pesquisas acadêmicas.
Segundo estudos desenvolvidos pela Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura da UFBA (SUMAI), uma reforma que contemple todos os espaços desse patrimônio tombado em 2016 pelo IPHAN exigirá investimentos na ordem de R$ 100 milhões.
